Título
oficial: Coffee and Tea Intake and Risk of Head and Neck Cancer: Pooled
Analysis in the International Head and Neck Cancer Epidemiology Consortium
- Publicação: Cancer Epidemiology, Biomarkers & Prevention,
uma publicação da American Association for Cancer Research
- Quem fez: Mia Hashibe, professora assistente do
departamento da família e da medicina preventiva da Universidade de Utah e
pesquisadora do Huntsman Cancer Institute.
- Instituição: Universidade de Utah, nos Estados Unidos
- Dados de amostragem: A revisão ocorreu a partir de dados
de 5.139 pessoas com câncer de cabeça e pescoço e 9.028 sem a doença.
- Resultado: O estudo mostrou que pessoas que consomem café
regularmente podem ser protegidas contra o câncer de cabeça e pescoço.
Pessoas que consomem café regularmente podem ser protegidas
contra o câncer de cabeça e pescoço, segundo uma revisão publicada na revista
Cancer Epidemiology, Biomakers & Prevention.
A partir de uma análise de nove estudos científicos, que
envolveu mais de 5.139 pessoas com câncer de cabeça e pescoço e 9.028 sem a
doença – concluiu-se que aqueles que bebem quatro xícaras de café por dia têm
39% menos chance de desenvolver a doença em comparação com aqueles que não
bebiam.
Chás ricos em cafeína não foram associados à prevenção desse
tipo de câncer. Além disso, os pesquisadores não encontraram indícios em
relação ao câncer de laringe.
“Levando em conta o alto nível de consumo do café e a baixo
índice de sobrevivência de pessoas com câncer de cabeça e pescoço, nossos
resultados têm pontos importantes para a saúde pública”, disse a pesquisadora
Mia Hashibe, do departamento de medicina preventiva da Universidade de Utah.
— O que já se sabia sobre o assunto
O estudo acrescentou mais uma evidencia positiva sobre os
efeitos benéficos do consumo de café. Cientistas já haviam relatado que pessoas
que bebem mais de cinco xícaras por dia diminuíram o risco de desenvolver um
tipo de tumor no cérebro chamado glioma. No ano passado, pesquisadores
descobriram que homens que bebiam café tinham 60% menos chances de desenvolver
um câncer de próstata agressivo. Além disso, o café já foi relacionado a
índices reduzidos de câncer colorretal e de endométrio, assim como câncer de
fígado.
Por outro lado, estudos já mostraram que o consumo de café
pode, por exemplo, aumentar a incidência de câncer de cárdia, uma transição
entre o esôfago e o estômago. Ou seja, enquanto o café protege de um tipo de
câncer, aumenta as chances de desenvolver outro.
De acordo com Luiz Paulo Kowalski, cirurgião de cabeça e
pescoço do Hospital Sírio-Libanês, a revisão americana atual tem um poder
estatístico muito grande, por conta da quantidade de casos estudados. “Esse
estudo vem de encontro com outro importante estudo japonês, que seguiu a vida
de 38.000 pessoas por 13 anos. Os resultados mostraram que o consumo de café
reduziu a chance de câncer em 50%. Então, temos duas provas epidemiológicas
muito relevantes sobre o efeito benéfico do consumo de café para essa
condição”, diz.
A pesquisa, porém, não esclareceu porque o café protege
desse tipo de câncer. “Um estudo experimental, feito com ratos, mostrou que o
café ativou enzimas antioxidantes, que protegem contra os efeitos dos radicais
livres. Parece que esse assunto está realmente merecendo interesse na
literatura”, acredita Kowalski.
Especialista: Luiz Paulo Kowalski, Cirurgião de Cabeça e
Pescoço do Hospital Sírio-Libanês.
Envolvimento com assunto: Na década de 90, Kowalski publicou
um estudo realizado com três bebidas consumidas no Brasil: erva-mate
(chimarrão), café e chá. Os resultados mostravam uma pequena elevação do risco
para câncer de cabeça pescoço em relação ao consumo de café.
- Conclusão
A recomendação médica não deve mudar a partir desse estudo.
A descoberta, porém, é importante por mostrar que o consumo não é maléfico para
essa doença. Segundo Kowalski, o câncer de boca e faringe tem três grandes
vilões: álcool, tabaco e má alimentação. “A prevenção desses fatores de risco
seria mais benéfica do que aumentar o consumo de café”, diz. Ele lembra ainda
que o consumo exagerado pode trazer os efeitos colaterais da cafeína, como
taquicardia, efeitos neurológicos, insônia e irritação.
(Por Natalia Cuminale)
texto extraído do Blog da Revista Veja
